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| O Invisível em Todo Lugar | Captura de tela/O Invisível em Todo Lugar/YouTube |
Durante grande parte de sua trajetória acadêmica, o físico Michael Guillén acreditava que a ciência seria capaz de responder a todas as perguntas da existência. Hoje, porém, ele afirma que foi justamente o aprofundamento nos estudos científicos que o levou a reconhecer a existência de Deus e a abraçar a fé cristã.
Nascido e criado no leste de Los Angeles, Guillén demonstrou interesse pela ciência ainda na infância. Fascinado pela física desde os primeiros anos escolares, ele aprofundou seus estudos ao longo da juventude, chegando a cursar programas avançados na Universidade Cornell. Posteriormente, tornou-se professor de física em Harvard, conquistou doutorado em física, matemática e astronomia e atuou como editor de ciência da ABC News, recebendo inclusive um prêmio Emmy por seu trabalho.
Segundo Guillén, houve uma época em que a ciência ocupava o lugar mais importante de sua vida.
“A ciência era o meu deus”, declarou em entrevista ao The Christian Post.
Entretanto, ele afirma que suas próprias descobertas e reflexões científicas acabaram derrubando as bases de seu ateísmo. Para o pesquisador, a ciência moderna não o afastou de Deus, mas abriu seus olhos para uma realidade que vai além do mundo material.
Essa experiência é apresentada em seu novo documentário, “O Invisível em Todo Lugar: Acreditar é Ver”, que retrata sua jornada de décadas, saindo do ceticismo até chegar à fé cristã. O filme explora como diversas descobertas científicas apontam para aspectos da realidade que não podem ser explicados apenas por uma visão materialista do universo.
O lançamento acontece em um contexto em que muitos ainda enxergam ciência e religião como áreas incompatíveis. Uma pesquisa do Pew Research Center, divulgada em 2025, mostrou que metade dos adultos norte-americanos acredita existir um conflito significativo entre ciência e fé religiosa.
Guillén discorda dessa visão. Autor de diversas obras sobre ciência e cristianismo, ele sustenta que ambas não apenas são compatíveis, mas se complementam.
De acordo com o cientista, uma das primeiras experiências que abalou suas convicções ocorreu durante seus estudos sobre a teoria da relatividade de Albert Einstein. A ideia de que existem aspectos invisíveis da realidade o levou a questionar o princípio que guiava sua vida: “ver para crer”.
Mais tarde, durante suas pesquisas em astrofísica na Universidade Cornell, outro tema chamou sua atenção: o chamado “problema da massa faltante”. Os astrônomos perceberam que as galáxias se comportavam de uma forma que não podia ser explicada apenas pela matéria visível.
Essa observação levou à teoria da existência da matéria escura, uma substância invisível que exerce influência gravitacional sobre o universo. Atualmente, cientistas acreditam que a matéria escura, juntamente com a energia escura, represente cerca de 95% de tudo o que existe no cosmos.
Para Guillén, essa descoberta teve profundo impacto pessoal.
“Percebi que não era possível continuar vivendo segundo a ideia de que só podemos acreditar naquilo que vemos”, afirmou.
A partir desse momento, iniciou uma busca não apenas científica, mas também espiritual. Durante anos, estudou diversas tradições religiosas, incluindo hinduísmo, islamismo, judaísmo e outras correntes filosóficas. No entanto, ele afirma que nenhuma delas respondeu plenamente aos seus questionamentos.
A mudança começou quando uma colega da universidade, chamada Laurel, o incentivou a ler a Bíblia. O interesse inicial, segundo ele, foi motivado pelo desejo de passar mais tempo com ela. Décadas depois, os dois continuam casados.
Ao ler as Escrituras, Guillén encontrou algo que não havia encontrado em outras tradições religiosas. Ele relata que especialmente os ensinamentos de Jesus chamaram sua atenção por apresentarem verdades profundas que, à primeira vista, pareciam paradoxais, mas que faziam sentido quando analisadas mais profundamente.
Curiosamente, ele enxergou semelhanças entre esses ensinamentos e conceitos da mecânica quântica, área que também estudava na época. Assim como certos fenômenos quânticos desafiam a lógica comum sem contradizê-la, ele passou a enxergar algumas declarações de Jesus como verdades que transcendem a compreensão humana imediata.
Mesmo assim, sua conversão não ocorreu de forma instantânea. O processo levou cerca de duas décadas, período em que conviveu com alguns dos mais renomados cientistas do mundo.
Segundo Guillén, em muitos ambientes acadêmicos, a fé cristã era vista com desconfiança. Ele recorda situações em que cientistas altamente respeitados eram menosprezados apenas por professarem crença em Deus.
Por esse motivo, durante muito tempo evitou falar abertamente sobre sua fé. Hoje, no entanto, ele compartilha publicamente sua experiência em universidades e eventos ao redor do mundo.
Em suas palestras, costuma encontrar estudantes que acreditam ser impossível conciliar ciência e cristianismo. No entanto, ele afirma que muitos jovens demonstram sincera curiosidade sobre temas como existência, propósito, verdade e espiritualidade.
Guillén também destaca a importância do diálogo respeitoso com pessoas que pensam diferente. Segundo ele, algumas das conversas mais enriquecedoras que teve ocorreram justamente com estudantes céticos e grupos humanistas.
Apesar das críticas que frequentemente recebe nas redes sociais, o cientista afirma responder com respeito e compreensão, lembrando que ele próprio já foi ateu.
Hoje, sua principal mensagem é que a realidade é muito maior do que aquilo que os olhos conseguem enxergar.
“Se eu ainda vivesse apenas pelo princípio de ‘ver para crer’, estaria cego para grande parte da realidade”, declarou.
O livro “O Invisível em Todo Lugar: Acreditar é Ver” já está disponível ao público e aprofunda os temas abordados em sua jornada pessoal entre a ciência e a fé.
Com informações de THE CHRISTIAN POST


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