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| Imagem Ilustrativa (criada por IA) |
Um trabalhador agrícola cristão de 21 anos morreu após sofrer tortura no Paquistão na quarta-feira (4 de março). Segundo familiares, seus empregadores muçulmanos teriam tentado encobrir o crime simulando um suicídio por enforcamento.
Dilshad Masih, morador de Chak No. 50 Shumali, no distrito de Sargodha, na província de Punjab, contou que seu irmão mais novo, Marcus Masih, trabalhava havia cerca de cinco anos em uma fazenda de gado pertencente a Muhammad Mohsin Kharal e Muhammad Basharat Kharal, localizada em Chak No. 36 Janoobi, na mesma região.
De acordo com Dilshad, Basharat entrou em contato por telefone por volta das 10h da manhã de quarta-feira informando que Marcus teria tirado a própria vida ao se enforcar no teto de um curral.
“Eu e dois parentes fomos imediatamente até a aldeia deles. Quando chegamos, encontramos o corpo de Marcus pendurado”, relatou Dilshad ao Christian Daily International–Morning Star News. “Eles disseram que não sabiam por que ele teria cometido suicídio.”
As suspeitas da família começaram após a liberação do corpo pelo hospital depois da autópsia. Dilshad afirma que advogados ligados aos empregadores pressionaram os familiares a colocarem suas impressões digitais em uma folha em branco, alegando que isso seria necessário para permitir o envio do corpo ao exame.
“Estávamos devastados e em choque, por isso não questionamos”, disse. “Mas quando recebemos o corpo de volta, vimos hematomas graves e marcas de queimadura. Foi então que entendemos que Marcus havia sido torturado.”
Segundo o irmão, Marcus nunca havia relatado maus-tratos, embora a família soubesse que os empregadores tinham uma reputação controversa na região.
“Eu já havia pedido várias vezes para que ele deixasse aquele trabalho e viesse trabalhar comigo em um condomínio residencial onde tenho um contrato de limpeza”, contou Dilshad. “Mas ele preferiu permanecer na fazenda.”
Após o ocorrido, dezenas de cristãos realizaram um protesto, colocando o corpo do jovem em uma rodovia principal e bloqueando o trânsito para exigir o registro de um boletim de ocorrência. A polícia então formalizou o caso.
“A polícia nos garantiu que irá prender os responsáveis”, disse Dilshad. “Mas pessoas influentes muitas vezes escapam da justiça. Somos cristãos pobres e só podemos esperar que haja justiça.”
O defensor de direitos humanos Asher Adeel, que atua em Sargodha, condenou o caso e pediu uma investigação imparcial.
“As lesões visíveis no corpo indicam tortura severa”, afirmou. “Se as acusações forem confirmadas, os responsáveis não apenas mataram Marcus, como tentaram encobrir o crime simulando suicídio e pressionaram a família a assinar documentos em branco. As autoridades precisam garantir que ninguém esteja acima da lei.”
Até o momento da publicação deste relato, nenhuma prisão havia sido oficialmente confirmada no caso.
Dilshad afirmou que a família está buscando apoio jurídico e pediu às autoridades provinciais uma investigação transparente.
“Queremos apenas saber a verdade”, declarou. “Meu irmão merece justiça.”
Organizações que defendem os direitos dos cristãos afirmam que o caso evidencia a vulnerabilidade de minorias religiosas em áreas rurais do Paquistão. Nessas regiões, muitos cristãos pobres trabalham em empregos informais e mal remunerados, frequentemente sob a autoridade de proprietários de terras influentes.
Nos últimos anos, diversos episódios semelhantes reforçaram essas preocupações.
Em maio, o trabalhador cristão Kashif Masih morreu após ser torturado por um grupo de muçulmanos, incluindo um ex-policial, devido a uma acusação de roubo sem provas. O caso gerou indignação entre defensores dos direitos das minorias, que criticaram a falta de ação rápida das autoridades.
Em março de 2025, o operário cristão Waqas Masih ficou gravemente ferido depois que um colega muçulmano cortou sua garganta sob acusação de blasfêmia. O agressor alegou que ele havia tocado um livro didático islâmico “com mãos impuras”, acusação que ativistas consideram um exemplo do uso indevido de sensibilidades religiosas para justificar violência.
Em fevereiro de 2025, outro cristão, Wasif George, foi sequestrado por latifundiários muçulmanos, humilhado e obrigado a desfilar montado em um burro após ser acusado de roubo de madeira. Imagens da agressão circularam nas redes sociais e geraram condenação pública, mas resultaram em pouca responsabilização judicial.
Em 6 de junho de 2024, Waqas Salamat, um trabalhador católico de 18 anos, morreu após ser torturado por seu empregador e outras pessoas, que o acusavam de ter abandonado o trabalho sem permissão. Segundo familiares, ele sofreu horas de choques elétricos, que provocaram ferimentos fatais.
Organizações internacionais de monitoramento continuam classificando o Paquistão entre os países mais difíceis para cristãos. O país voltou a ocupar a oitava posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, que avalia a situação dos cristãos ao redor do mundo.
O relatório aponta problemas como discriminação sistemática, violência coletiva, conversões forçadas, trabalho escravo e abusos contra mulheres, além de destacar que muitos agressores acabam impunes devido à aplicação frágil da lei e à pressão social.


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