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Governos intensificam controle e empurram cristãos para o isolamento

Mais de 388 milhões de cristãos vivem sob pressão e vigilância estatal, sendo forçados ao isolamento e à prática clandestina da fé.
Publicado há
em
15/01/2026
Imagem Ilustrativa (Criada por IA)


A pressão e a violência continuam sendo parte da realidade de mais de 388 milhões de cristãos em todo o mundo. Embora o número de ataques contra igrejas e propriedades cristãs tenha diminuído — de 7.679 para 3.632 segundo a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026 —, a pressão governamental permanece intensa. Em muitos países, igrejas são submetidas a vigilância rigorosa e regulamentações severas, levando comunidades cristãs a funcionarem de forma clandestina.


A situação da igreja no Norte da África

Na Argélia, todas as igrejas protestantes foram fechadas, empurrando os cristãos para uma situação de profundo isolamento. Estima-se que mais de 75% dos cristãos argelinos tenham perdido seus espaços de comunhão, sendo obrigados a se reunir secretamente em residências particulares, sob constante risco de prisão.


Com a ausência de templos para serem fechados ou invadidos, as autoridades passaram a concentrar esforços no ambiente digital. Atividades online de igrejas têm sido alvo frequente, com o encerramento de grupos em redes sociais que reuniam milhares de seguidores.


Dinâmicas semelhantes, embora em menor escala, são observadas na Mauritânia, a oeste, e na Tunísia, a leste da Argélia. No caso mauritano, o governo se opõe de forma rígida ao evangelismo, e a hostilidade contra cristãos de origem muçulmana é elevada. A apostasia do islã é formalmente punida com a morte; embora essa penalidade seja em grande parte simbólica, ela exerce forte efeito intimidatório. A pressão sobre os convertidos tem aumentado, obrigando a igreja a atuar com extrema cautela.


Desde 2021, a Tunísia vive sob um regime cada vez mais autoritário, e os serviços de segurança ampliaram a vigilância sobre cristãos tunisianos. Cristãos estrangeiros foram presos e tiveram suas casas revistadas. Paralelamente, as autoridades intensificaram ações contra migrantes cristãos subsaarianos sem documentação, sob o argumento de combate ao tráfico humano.


Diversas atividades religiosas conduzidas por tunisianos e cristãos subsaarianos foram invadidas e encerradas de forma definitiva. O medo de exposição tem levado muitos cristãos de origem muçulmana a enfrentarem solidão, isolamento e apoio comunitário bastante limitado.


O isolamento dos cristãos na China

O isolamento de cristãos também se agrava na China. Em setembro de 2025, o governo chinês publicou as “Regulamentações sobre o Comportamento Online do Clero Religioso”, um conjunto de 18 normas que impõem severas restrições. Entre elas, está a exigência de que líderes religiosos apoiem o Partido Comunista Chinês, promovam a adaptação das religiões à sociedade socialista e realizem pregações apenas em plataformas oficialmente licenciadas.


As regras ainda proíbem qualquer tipo de alcance a jovens, o uso de conteúdos religiosos para atrair atenção pública ou abordagens relacionadas à cura. Também são vetadas a arrecadação de recursos, transmissões ao vivo em redes sociais, o uso de aplicativos bíblicos e a distribuição de materiais religiosos.


Diante dessa pressão, igrejas domésticas independentes e não registradas — que antes realizavam grandes reuniões em espaços comerciais — passaram a se fragmentar em pequenos grupos domésticos de dez a vinte pessoas, reunidos em locais secretos e com liderança pastoral reduzida. Pastores dessas igrejas enfrentam acusações cada vez mais frequentes, como crimes econômicos, fraude por coleta de ofertas ou o delito genérico de “provocar brigas e causar problemas”.


Fonte: Portas Abertas

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